Culturomaniaco's Blog

8 de Junho de 2009

A música de Paulo Brissos “não tem nome”

Filed under: Música — culturomaniacos @ 21:35

PB5Canta, compõe e produz, é “um faz tudo”. Lançou o primeiro disco em 1994. É autor da canção  “Serás tu”que lhe deu visibilidade nas telenovelas nacionais. Participou duas vezes no Festival da Canção. África, Brazil são as suas mais recentes inspirações. Estudar nos EUA deu-lhe estímulo para mudar.

Lurdes Gomes

 

 

O seu último álbum, intitulado “Concerto Acústico”, é o símbolo do seu regresso. Um misto do que Paulo Brissos era antes de se formar nos EUA e um cheirinho daquilo que será a imagem do seu novo disco ainda em preparação.

Conversa descontraída no bar “café puro”, em Vila Franca de Xira, lugar que frequenta há já muitos anos. É um espaço decorado com garrafas de vinho, sofás em pele, paredes em pedra decoradas com quadros coloridos e o tecto em madeira, tudo mergulhado em luzes discretas e um ambiente com intenso “aroma” a tabaco, as cadeiras em pele sobre um chão ainda por varrer depois de uma noite de convívio. O bar, ainda fechado ao público, foi aberto porque Paulo se sentia bem naquele espaço.

Com o olhar tímido mas simpático, de t-shirt e sapatilhas, falou de forma descontraída e bem-disposta. Diferente da imagem séria que transmitiu no concerto acústico, que se realizou a 20 de Janeiro de 2008.

Não se considera cantor de nenhum género específico mas a consequência de um misto de influências como o “pop-rock ou o “pop-blues”. “O meu tipo de música não tem nenhum nome. Acho que nenhum tipo de música tem um nome devido à riqueza” dos conteúdos.

Porque gosta “de fazer várias coisas, compor, editar e produzir”, considera-se um “polivalente”: umas vezes faz tudo sozinho e outras, como num concerto, precisa do apoio de uma banda.

Os seus trabalhos mais conhecidos como produtor estão nos discos de Paulo Teixeira e de Sérgio Rossi. E participou com temas seus nos álbuns de Adelaide Ferreira e dos Excesso.

Aceitava e aceita convites para interpretar canções que nem sempre são da sua autoria: “pois antes de ser cantor sou um músico.”

 

Trampolins para entrar no mercado

Dois anos depois da sua passagem pelos Estados Unidos, numa formação em produção discográfica, Paulo Brissos regressou a Portugal e lançou o seu concerto acústico “para que as pessoas se lembrem de mim” e para que sirva de símbolo de “um regresso ao mercado”. É assim que justifica o seu último trabalho num tom expectante e optimista. O disco é uma retrospectiva do seu percurso profissional e uma viragem mais experiente e madura na arte de fazer música.

Começou “a cantar desde muito novo em casa”. Iniciou-se no palco entre os 13 e os 14 anos mas, diz, apenas “de forma amadora”. Como cantor profissional só quando tinha 16 anos é que começou “a ganhar uns trocos”. Depois de se tornar cantor e intérprete, tornou-se produtor porque sentiu a necessidade de fazer o seu trabalho “de forma independente”. A sua ida para os Estados Unidos foi “uma tentativa de fazer o trabalho sozinho” sem ter que depender de um produtor, e ganhar competências para ajudar outros cantores que não dominem a produção discográfica.

A sua primeira aparição no Festival da Canção, em 1991, foi o trampolim para entrar no mercado. Tinha apenas 21 anos e mesmo sem vencer não desistiu de voltar a participar em 1993. Foi isso que permitiu o nascimento do seu primeiro disco em 1994, “People Amigo”.

Temas como “Serás tu”, escrito com o sentimento romântico pela sua mulher e que entrou na banda sonora de uma telenovela, aumentou-lhe a visibilidade. Mas as suas letras nem sempre são reflexos da sua vida pessoal, avisa: “Serás Tu” é um tema de “amor que pode ser normal entre pessoas, e não apenas o amor entre um homem e uma mulher”.

É uma história de coragem a de Paulo Brissos. Depois de participar nos dois festivais de canção, e por que é persistente, gravou discos de originais e participou em diversas compilações de telenovelas, a última das quais vem ainda a caminho.

Quando gravou o primeiro álbum, “People Amigo”, ainda procurava a sua identidade profissional uma vez que estava a apalpar terreno. Até a própria capa do disco é enigmática: não é uma fotografia mas um retrato desenhado à mão.

Afirma que o que o distingue no mercado é a tentativa de “transmitir mensagens nas letras, na música e na interpretação”. Rui Veloso é uma das suas influências nacionais, Sting uma forte inspiração estrangeira, como se pode comprovar nas declarações incluídas no “myspace”. Quanto à sua maior vocação, entre cantar, compor ou produzir diz que depende das fases pois vai alternando a dedicação em cada uma das áreas que domina. É leitor “sempre que pode, de livros de teologia e filosofia aplicada”. Gosta também de “livros policiais bem conseguidos e com uma trama bem fundamentada.”

 

A próxima identidade

O seu próximo trabalho já foi de certa forma apresentado no concerto acústico. Os temas “ai Lisboa, senti saudades” e “Mariana no faz de conta” são o exemplo daquilo que será a tendência do seu próximo disco. “Tem como influência alguns ritmos africanos, brasileiros e outros”, desvenda. Os temas africanos são o reflexo das suas visitas a Moçambique e salienta estar “cada vez mais aberto a novas influências”. “Ir cada vez mais ao fundo das raízes étnicas, ritmos pop mais étnicos, fazer algo diferente, este é o caminho que optei” com os novos saberes importados da terra de Obama, consequência da vivência intercultural na escola de produção. Valeu a pena a estadia nos EUA? Acenou com a cabeça num gesto de aprovação.

Anúncios

Deixe um Comentário »

Ainda sem comentários.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a free website or blog at WordPress.com.

%d bloggers like this: