Como é ser-se bailarina em Portugal? Para Marina Nabais é fazer do corpo a sua casa.
Quando lhe perguntamos se quer falar um pouco sobre a sua nova criação, hesita e responde que não. É uma questão de superstição, não quer revelar coisas que dizem respeito a um projecto que ainda não está criado. “Pode dar azar”. Não insistimos, com as superstições não se brinca. Coisa de artista? Como é ser-se bailarina em Portugal? Marina Nabais, 35 anos, trabalha na dança há 12 e só recentemente encontrou o caminho para esta definição. Que não passa por ser bailarina. Fala de uma dança global onde as funções de intérprete, coreógrafa e professora se cruzam e se confundem naquilo que denomina como o microcosmos da dança. Porque em cada uma destas variantes encontra componentes essenciais que alimentam a necessidade vital que tem de dançar: pela vertente comunitária que isso lhe proporciona, pela componente relacional e pela solidão do processo criativo.
O meu corpo é a minha casa
A necessidade de dançar, de explorar os limites do corpo e do movimento levaram Marina Nabais a procurar a School for New Danse, em Amsterdão, após três anos numa Escola Superior de Dança que considerava fechada em si própria. Esta vontade de experimentar a cena contemporânea levou-a até Amsterdão, mas só agora, à distância, tem consciência da influência que essa experiência teve na sua maneira de dançar e criar. Num Portugal embrenhado no negativismo e na baixa auto-estima, o segredo está em saber o que se quer fazer, onde se está, para onde se quer ir. Para Marina, o talento também é isto: a vontade e a necessidade de se saber que se faz a coisa certa. Foi isso que a fez passar pelo ballet em pequena, pela dança espanhola ou pelo jazz. Da mesma forma que foi nómada na dança, foi-o na vida, nasceu em Angola, viveu no Brasil e veio então para Lisboa. Sentindo-se forasteira, era na dança que encontrava a sua casa. “O nosso corpo pode ser a nossa casa” e uma aula de ballet é igual em todo o lado, por isso esta necessidade de dançar revelou-se a melhor forma de encontrar um equilíbrio, o seu espaço. Um espaço portátil que pode levar consigo – o corpo.
“Os artistas também são ratos de laboratório que necessitam de se isolar para criar”. Destaca a importância desta componente de investigação e de exploração como essenciais para a evolução da dança que se faz em Portugal. Zonas de investigação não rentáveis que são independentes do público, a parte científica da dança. Esta investigação de base sobre o movimento permitirá encontrar estratégias para evoluir e para posteriormente chegar aos públicos. Mas estes públicos existem, sabem o que é a dança contemporânea? Responde-nos com outra questão: “e o que é a dança contemporânea?”. Já não se pode falar de dança contemporânea, diz, a dança agora é tudo, é a multidisciplinariedade que se estende à formação para a arte, à dança inclusiva, à danço-terapia. Dançar é uma necessidade.
O programador como figura essencial
Em relação à programação de dança feita em Portugal, considera que se evoluiu com passos de gigante nos últimos vinte anos. Não sente que se programe pouca dança; sente, sim, que vai chegando de tudo a Portugal, que temos acesso a muita coisa. É uma evolução que se faz em passos curtos: há salas de espectáculos para 200 lugares que têm 15 pessoas a assistir. Mas já é uma vitória.
A criação da figura de um programador é uma medida essencial na sua perspectiva. Não se programa pouca dança, mas quem programa tem pouca sensibilidade para o fazer, trata-se de uma questão de mentalidades. Para Marina, o teatro foi sempre mais visível e mais comunicado, houve sempre mais teatro e mais gente da televisão a fazê-lo.
Quem é este programador que considera essencial criar? Fala da necessidade de colocar à frente dos teatros e da Cultura alguém isento politicamente, que não faça da cultura um mote de campanha eleitoral e que não esteja lá “apenas porque é Engenheiro ou Arquitecto”. “É esta a parte da evolução que nos falta”, diz, defendendo a necessidade de cargos especializados com formação para serem, ele próprios, criadores de públicos. “Neste sentindo a dança está muito à frente, a discriminação que sofreu faz com que haja um produtor em cada coreógrafo”, sorri.
Marina também é produtora. O seu percurso profissional fê-la perceber que não se queria associar a nenhuma companhia e a sua participação em diferentes projectos com gente como Lúcia Cigalho, Luís Castro, Peter Michael Dietz ou Aldara Bizarro, onde experimentou a multidisciplinaridade na dança explorando o seu lado teatral e físico, fazem-na começar a encontrar a sua estética de trabalho. Em 2003 cria “a menina dos meus olhos”, associação cultural, onde alia a sua veia de criadora à de pedagoga. Actualmente, “a menina…” desenvolve formação na área da dança e das artes performativas, mas também faz espectáculos.
É mais uma estrutura de dança. Perguntamos-lhe se não sente que há demasiada oferta em Lisboa. “Para já há espaço para todas estas estruturas”, responde. Mas define como muito importante que os objectivos de cada uma delas sejam promover as criações de vários artistas, abrindo-se à diversidade. É saudável proporcionar pontos de vista diferentes, defende. Considera que, em Portugal, estamos sempre numa posição de vitimização; na verdade os apoios existem e o Estado até os dá. O problema está na organização e na forma como os apoios são distribuídos. “Fui convidada para um espectáculo na Turquia, não obtive qualquer apoio do Estado ou do Ministério da Cultura, tivemos de recusar o convite”.
“Não sou professora, sou artista”
Marina considera essencial despertar as pessoas para a sua fisicalidade e aborda a questão do desenvolvimento do trabalho do corpo como necessidade inerente à própria educação. Esta componente de formação está presente ao longo do seu percurso. Coreografar, criar é um processo solitário. Dar aulas é um processo de partilha. Ambos se complementam. Mas não dá aulas; gosta de lhes chamar oficinas porque são um espaço de troca, de partilha de criatividade. “Não sou professora, sou artista” e é esse o objectivo das suas oficinas, descobrir o artista que existe em cada pessoa desenvolvendo o equilíbrio entre o corpo e a mente. É no ensino que se deve começar aos poucos a implementar a dança. Uma das medidas que aponta é a introdução da História da Dança nas disciplinas de História da Arte, no Ensino Secundário. Porque a dança é maltratada e esta pode ser uma primeira medida para a sensibilização de públicos e para a sua criação.
Mesmo assim, continua a dançar, a criar e a ensinar. Ainda há espaço para se ser “cientista do movimento” e começa-se, lentamente a promover uma mudança de mentalidades. E assim a menina dança.
Quem conhece Miguel, vocalista da banda, consegue absorver a calma, sinceridade e alegria que transmite, uma forma de estar leve e agradável que pouco transparece nas músicas dos Macacos do Chinês, banda formada “a sério, a sério, há cerca de dois anos” por ele, pelo seu primo André Pinheiro (Apache) e Pedro Silva (Drupez). Miguel (Skillaz) tem gostos musicais que vão muito além do Hip Hop, e isso espelha-se nas músicas dos MDC. “Salada de frutas ou Cozido à Portuguesa” é como Miguel chamaria a este género se pudesse criar uma nova categoria. Não consegue defini-lo de outra forma, uma vez que a música que produz é sempre resultado de novas tentativas que “se resultarem, muito bem; se não, seguimos para a próxima”. Confessa que, apesar de o seu papel na banda estar conotado com o Hip Hop e o Rap, estes foram géneros que pouco fizeram parte do seu crescimento. Ouviu sempre mais bandas como “Pearl Jam, Soundgarden, Nirvana e as poucas coisas de Hip Hop que ouvia eram os Beastie Boys e os Cypress Hill” tendo ainda tocado no seu rádio bandas de nu-metal como Korn e Deftones. Foi precisamente quando ouviu pela primeira vez este género pouco tocado em Portugal – o Grime – que se sentiu mais ligado ao Hip Hop. Explica o Grime como sendo um “Hip Hop mais leve, que não está necessariamente ligado aos temas habituais do Hip Hop nacional, como as críticas ao sistema” – na sua opinião, muitas vezes sem consistência. É por isso que admira Sam the Kid – com quem gravou já uma música – porque sempre conseguiu distanciar-se deste cantar “em vão” do Hip Hop nacional. Ao pegar um álbum de Sam the Kid “ouvem-se temas como a cidade, o campo, o amor, o trabalho…”. E é por isso que Miguel consegue rever-se nele, por “gostar mais de cantar a contar histórias, criticando directamente sem ser tão bruto, mostrando coisas do dia-a-dia” e criticando-as com a consciência do que realmente se passa. Por outro lado, explica que “apesar de sentir vários géneros de música, como o reggae, o rock e muitos outros”, só consegue exprimir-se “pela rima”.
Londres, Amesterdão e Berlim foram cidades que já receberam os MDC. Tocam muito fora de Portugal, houve mesmo momentos em que tocaram “mais lá fora que cá”. Ao início, confessa, houve algum receio pois iria cantar em português e ninguém compreenderia o que estava a dizer. No primeiro concerto, no Cargo Club, em Londres, achou mesmo que lhes “iriam atirar tomates, ou algo do género”. Mas não. A banda foi muito bem recebida e as pessoas que lá estavam vieram ter com eles dizendo que “não tinham compreendido nenhuma das palavras, mas que o feeling estava lá”. Miguel considera que o facto de terem as sonoridades do Dubstep e do Grime ajudou a esta recepção positiva, aliado ao facto de o público se ter interessado pela conjugação destes géneros com a guitarra portuguesa, instrumento associado ao fado e à tradição e muitas vezes desconhecido de quem os ouve lá fora.
Quando lhe perguntamos se há futuro para o filme que fez, responde que as curtas-metragens normalmente ficam afastadas do circuito comercial e muito raramente são exibidas fora do âmbito dos festivais. Mas no seu caso, e pelo facto de ter ganho a Palma de Ouro, já existem distribuidoras interessadas em “Arena”: em Setembro ou Outubro o filme vai chegar às salas. Como pensa que os portugueses vão aceitá-lo? “O filme ter sido premiado para a Palma de Ouro já foi bastante bom”, diz. Mas acrescenta: fez o filme sem pensar nas reacções das pessoas.
Canta, compõe e produz, é “um faz tudo”. Lançou o primeiro disco em 1994. É autor da canção “Serás tu”que lhe deu visibilidade nas telenovelas nacionais. Participou duas vezes no Festival da Canção. África, Brazil são as suas mais recentes inspirações. Estudar nos EUA deu-lhe estímulo para mudar. 
Escrever canções pop em português volta a estar na moda. O lançamento de novas bandas como Peixe:Avião, doismileoito, Os Quais, dr.estranhoamor, Feromona ou Os Pontos Negros são disso exemplo. O álbum “Nascituro” ser contemporâneo destas bandas é «coincidência porque não o fizemos com a intenção de aproveitar esta onda». O baterista Filipe também admite que isso até poderá ser bom para Os Ludo e agradece a existência de plataformas como os blogues, o Twitter e principalmente o Myspace, na divulgação de todo este material e aproveita para alertar que apesar da divulgação destas bandas «ser excelente para a música portuguesa, esta não deve ser feita de qualquer maneira». Refere-se ao episódio em que Os Pontos Negros rejeitaram a inclusão de um tema do seu reportório na telenovela-juvenil Morangos Com Açúcar. Se tivessem aceite «seria uma faca de dois gumes porque apesar de poderem vir a ganhar muitos ouvintes, ficariam com um rótulo conotado com a série e com o público que a vê». Enquanto Paulo coça pensativo o queixo, João interrompe para acrescentar que depende da telenovela e do tipo de exposição que teria. «Um genérico estava completamente fora de questão». O lifestyle que os Ornatos Violeta ostentavam nos anos 90 permite prever que a banda de Manuel Cruz rejeitaria tal convite e os O Ludo adoram ser comparados ao extinto colectivo portuense, uma das suas principais influências. Pela anarquia da exposição de ideias nota-se que a banda ainda não tinha pensado em toda esta questão.
Na sua vida não existe espaço para a palavra parar. De dia tem um programa de rádio, à noite passa música pelas discotecas do país, entre tudo isto ainda escreve para publicações esporádicas e inaugura este mês um canal on-line que vai ser emitido a partir de sua casa.
A palavra dele é de honra. Atende o telefone e simpaticamente marca a entrevista para a mesma hora. Nuno Markl, 37 anos, não tem ar de vedeta mas bem poderia ter. O local da entrevista? A rádio. O local onde consigo dizer as melhores coisas da minha vida, diz.